Estrias. Todo mundo tem uma opinião sobre elas — e a maioria dessas opiniões está errada.
"É só passar Bepantol que resolve." "Estria branca não tem jeito." "Só mulher grávida tem estria." Se você já ouviu alguma dessas frases, este artigo é para você.
A verdade é que as estrias são cercadas de mitos, informações desatualizadas e receitas milagrosas que não funcionam. E o pior: essa desinformação faz com que muita gente tome decisões erradas sobre o cuidado da própria pele.
Então vamos colocar as cartas na mesa. Aqui estão 5 verdades surpreendentes sobre estrias — baseadas em ciência, não em achismo.
Verdade 1: Estrias NÃO São Exclusivas de Mulheres
Esse é provavelmente o mito mais difundido. A maioria dos conteúdos sobre estrias fala exclusivamente para mulheres, criando a impressão de que é um "problema feminino". Não é.
Quem mais desenvolve estrias?
-
Adolescentes em crescimento: Durante o estirão puberal, meninos e meninas podem desenvolver estrias nas costas, coxas e quadris. Um estudo de Cho et al. (2006) encontrou prevalência de estrias em até 40% dos adolescentes do sexo masculino e 70% do sexo feminino durante a puberdade.
-
Homens praticantes de musculação: O ganho rápido de massa muscular (hipertrofia) causa estiramento da pele, especialmente nos ombros, braços e peitorais. As chamadas "estrias de musculação" são extremamente comuns em bodybuilders.
-
Pessoas que passam por variações de peso: Ganho ou perda rápida de peso pode gerar estrias em qualquer pessoa, independentemente do sexo.
-
Pacientes em uso de corticoides: Tanto homens quanto mulheres que fazem uso prolongado de corticosteroides (tópicos ou sistêmicos) podem desenvolver estrias, pois esses medicamentos degradam o colágeno dérmico.
Por que isso importa?
Porque o estigma social faz com que muitos homens e adolescentes não busquem cuidado para suas estrias, achando que é algo que só afeta mulheres grávidas. Na verdade, o mecanismo de formação é o mesmo, e os cuidados tópicos funcionam da mesma forma, independentemente do sexo.
Verdade 2: Estrias Se Formam na DERME, Não na Epiderme
Esta é a verdade que explica por que estrias são tão desafiadoras de cuidar. A maioria das pessoas pensa que estrias são um problema "superficial" da pele. Não são.
A anatomia de uma estria
A pele humana tem três camadas principais:
-
Epiderme: A camada mais externa, visível. Tem cerca de 0,1 mm de espessura.
-
Derme: A camada intermediária, onde ficam o colágeno, a elastina, os vasos sanguíneos e os fibroblastos. Tem cerca de 1 a 4 mm de espessura.
-
Hipoderme: A camada mais profunda, composta principalmente de tecido adiposo.
As estrias se formam quando a derme se rompe por estiramento mecânico excessivo. As fibras de colágeno e elastina não conseguem acompanhar a velocidade do estiramento e literalmente se rompem, criando uma cicatriz atrófica.
Segundo Watson et al. (1998), as análises histológicas de estrias mostram fibras de colágeno finas, paralelas e desorganizadas na derme, bem diferentes do padrão entrelaçado do colágeno saudável. Também há perda significativa de fibras elásticas (elastina) na região afetada.
O que isso significa na prática?
Significa que qualquer cuidado tópico eficaz precisa alcançar a derme — e essa é a grande dificuldade. A epiderme funciona como uma barreira natural que limita a penetração de ativos. Por isso:
-
Esfoliação melhora a absorção ao afinar a camada córnea
-
Ativos com boa penetração dérmica (como os triterpenoides da centella asiática) são mais eficazes que ativos que ficam na superfície
-
Veículos adequados (a formulação do produto) influenciam diretamente quanto do ativo chega à derme
É por isso que um bom creme para estrias precisa ser pensado não apenas nos ativos, mas no veículo que os carrega até onde eles precisam agir.
Verdade 3: A Genética É o Maior Fator de Risco
Se a sua mãe tem estrias, suas chances de desenvolvê-las são significativamente maiores. Não é "profecia" — é genética.
O que a ciência diz
Um estudo marcante de Atwal et al. (2006), publicado no BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology, analisou fatores de risco para estrias na gravidez e concluiu que o histórico familiar é o preditor mais forte. Mulheres cujas mães tiveram estrias na gestação tinham probabilidade significativamente maior de desenvolvê-las, mesmo controlando por outros fatores como ganho de peso e idade.
Os genes envolvidos
Pesquisas mais recentes identificaram variações genéticas que influenciam a susceptibilidade a estrias:
-
Gene ELN (elastina): Codifica a proteína elastina, essencial para a elasticidade da pele. Variações neste gene podem resultar em fibras elásticas menos resistentes ao estiramento.
-
Genes do colágeno tipo I e tipo III (COL1A1, COL3A1): Esses genes determinam a qualidade e a quantidade de colágeno produzido. Variações podem resultar em uma derme mais vulnerável à ruptura.
-
Gene da fibrilina (FBN1): A fibrilina é uma glicoproteína que compõe as microfibrilas do tecido elástico. Mutações no gene FBN1 estão associadas a diversas condições de tecido conjuntivo, incluindo maior susceptibilidade a estrias.
Um estudo genômico de Tung et al. (2013), publicado no Journal of Investigative Dermatology, identificou quatro loci genéticos significativamente associados ao desenvolvimento de estrias, confirmando a forte base genética dessa condição.
O que isso significa para você?
Significa que se você tem predisposição genética, o cuidado preventivo é ainda mais importante. Você pode não conseguir impedir completamente o surgimento de estrias, mas pode reduzir a severidade e melhorar significativamente a aparência com cuidados iniciados precocemente.
Se está grávida e sabe que tem histórico familiar, comece a rotina de cuidados o quanto antes. Explore as opções para estrias na gravidez.
Verdade 4: Estrias Brancas NÃO São "Caso Perdido"
Esse é talvez o mito mais cruel: a ideia de que, uma vez que a estria ficou branca, acabou. "Agora é para sempre." Essa afirmação é incompleta e desanimadora sem necessidade.
O que acontece nas estrias brancas
As estrias brancas (striae albae) são o estágio maduro das estrias. Elas já passaram pela fase inflamatória (vermelha/roxa) e se estabilizaram como cicatrizes atróficas. Nesse estágio:
-
O tecido é fibrótico (colágeno desorganizado)
-
Há atrofia dérmica (a derme é mais fina)
-
Os melanócitos estão inativos ou reduzidos (por isso não bronzeiam)
Tudo isso é verdade. Mas nada disso significa que não é possível melhorar a aparência.
O que os cuidados tópicos podem fazer
Cosméticos com ativos como centella asiática, pantenol, vitamina E e óleo de rosa mosqueta podem promover:
-
Melhora na textura: A superfície da estria fica mais lisa e menos irregular ao toque
-
Redução aparente da profundidade: Com a melhora da hidratação e o estímulo suave ao colágeno, as estrias podem parecer menos deprimidas
-
Melhora na qualidade da pele ao redor: Uma pele melhor hidratada e nutrida faz com que as estrias fiquem menos visíveis por contraste
-
Uniformização parcial do tom: Embora as estrias brancas não voltem a ter a pigmentação normal, a melhora na textura e na hidratação pode reduzir o contraste visual
Um estudo de Ud-Din et al. (2016) revisou diversas abordagens tópicas para estrias brancas e concluiu que, embora a resolução completa não seja esperada, melhorias clinicamente significativas na aparência são possíveis com cuidado tópico consistente.
O fator tempo e consistência
A diferença entre quem vê resultado e quem não vê geralmente se resume a dois fatores:
-
Tempo: Estrias brancas precisam de pelo menos 8 a 16 semanas de cuidado tópico consistente para mostrar melhora perceptível.
-
Consistência: Aplicação diária, sem interrupções longas. O acúmulo de estímulos é o que gera resultado.
Se você tem estrias brancas, explore as opções de produtos para estrias e comprometa-se com uma rotina de pelo menos 3 meses antes de avaliar resultados.
Verdade 5: Cremes Caseiros NÃO Têm Evidência Científica Para Estrias
Essa verdade vai incomodar muita gente, mas precisa ser dita: Bepantol, Hipoglós e óleo de coco puro não têm evidência científica para o cuidado de estrias.
O mito do Bepantol para estrias
O Bepantol (dexpantenol/pantenol) é um excelente hidratante e reparador de barreira. Ele tem uso comprovado para pele seca, dermatite de fralda e fissuras mamárias. Mas não existe estudo clínico que demonstre eficácia do Bepantol puro no cuidado de estrias.
O pantenol é um ingrediente valioso — tanto que está na fórmula de bons cremes para estrias, como a Lummina Gest. Mas ele sozinho, sem os outros ativos que estimulam colágeno (como centella asiática e silício orgânico), tem ação limitada: hidrata, mas não atua na regeneração dérmica necessária.
O mito do Hipoglós para estrias
O Hipoglós é uma pomada à base de óxido de zinco, óleo de fígado de bacalhau e vitaminas A e D. Foi formulada para proteção da pele de bebês contra assaduras. Não há nenhum estudo científico que respalde seu uso para estrias. A formulação é oclusiva (cria uma camada protetora), mas não contém ativos que estimulem a síntese de colágeno ou a remodelação dérmica.
O mito do óleo de coco para estrias
O óleo de coco (Cocos nucifera) é um bom emoliente e tem propriedades antimicrobianas. Porém, ele é composto majoritariamente de ácidos graxos saturados (ácido láurico ~49%), que não têm a mesma ação regeneradora dos ácidos graxos insaturados presentes no óleo de rosa mosqueta (linoleico e linolênico).
Um estudo de Soltanipoor et al. (2012) sobre prevenção de estrias com óleos e emolientes não encontrou evidência significativa de que emolientes simples (sem ativos específicos) previnam ou melhorem estrias além de um efeito básico de hidratação.
O que funciona, então?
A evidência científica aponta para formulações que combinem:
-
Centella asiática (triterpenos): O ativo com mais evidência para cuidado de estrias (Bylka et al., 2014)
-
Hidratantes funcionais (pantenol, ácido hialurônico): Mantêm a pele hidratada e receptiva
-
Óleos ricos em ácidos graxos insaturados (rosa mosqueta): Nutrição e reparação lipídica
-
Antioxidantes (vitamina E, vitamina C): Proteção contra degradação do colágeno
Ou seja, não é que os ingredientes caseiros sejam "ruins" — eles simplesmente não são suficientes quando usados isoladamente. É a combinação sinérgica de ativos, em concentrações adequadas e veículos apropriados, que faz a diferença.
Bônus: A Ciência Está Avançando
Se as cinco verdades acima podem parecer um pouco desanimadoras, essa parte vai te dar esperança. A ciência do cuidado de estrias está em plena evolução, e pesquisas recentes abrem caminhos promissores.
Fatores de crescimento
Pesquisas com fatores de crescimento tópicos — como EGF (fator de crescimento epidérmico) e FGF (fator de crescimento de fibroblastos) — mostram potencial para estimular a regeneração dérmica em estrias. Embora ainda em estágios iniciais, os resultados preliminares são encorajadores (Ud-Din et al., 2016).
Terapia com luz (LED e laser)
Tratamentos dermatológicos com luz LED vermelha (630-660 nm) e laser fracionado não ablativo estão mostrando resultados significativos na melhora da textura e pigmentação de estrias. Esses procedimentos estimulam a produção de colágeno na derme sem danificar a epiderme. São tratamentos médicos realizados em consultório, mas representam um avanço importante no arsenal contra estrias resistentes.
Cosméticos avançados
A nova geração de cosméticos para estrias vai além dos ingredientes tradicionais. Formulações com:
-
Peptídeos bioativos que mimetizam fatores de crescimento
-
Sistemas de entrega avançados (lipossomas, nanopartículas) que melhoram a penetração dos ativos na derme
-
Combinações sinérgicas baseadas em evidência (como centella + silício + rosa mosqueta)
Essas inovações estão elevando o padrão do que cosméticos tópicos podem fazer por estrias. Produtos como a Lummina Gest já incorporam esse pensamento de formulação multi-ativo e sinérgica.
Conclusão: Informação de Qualidade É o Primeiro Passo
As estrias são uma condição comum, multifatorial e cercada de desinformação. Entender as verdades por trás delas — que afetam todos os sexos, que se formam na derme, que a genética pesa, que estrias brancas podem melhorar e que receitas caseiras têm limitações — é o que separa uma abordagem eficaz de uma frustrante.
Com informação certa, expectativas realistas e os produtos para estrias adequados, o cuidado deixa de ser uma tentativa no escuro e passa a ser uma estratégia baseada em ciência.
Sua pele conta uma história. E você tem o poder de decidir como cuidar dela.
Perguntas Frequentes
Estrias são consideradas uma doença?
As estrias (striae distensae) são classificadas como uma forma de cicatriz dérmica. Não são consideradas uma doença em si, mas sim uma alteração cutânea resultante de ruptura das fibras de colágeno e elastina na derme. Não oferecem risco à saúde, mas podem impactar a autoestima e o bem-estar emocional.
É verdade que perder peso rápido causa mais estrias do que ganhar?
Não exatamente. As estrias se formam quando a pele é estirada rapidamente, o que acontece principalmente durante o ganho de peso ou volume (crescimento, gravidez, hipertrofia muscular). A perda de peso pode tornar estrias existentes mais visíveis, mas não é a causa direta da formação.
Adolescentes devem se preocupar com estrias?
O estirão puberal é uma das fases de maior incidência de estrias. Se o adolescente está crescendo rapidamente e nota linhas avermelhadas nas costas, coxas ou quadris, iniciar uma rotina de hidratação e cuidado pode ajudar a minimizar a severidade. Quanto mais cedo começar, melhor.
Se é genético, adianta cuidar?
Sim! A predisposição genética aumenta o risco, mas não determina o resultado final. Fatores como hidratação, nutrição, velocidade de ganho de peso e cuidados tópicos influenciam a severidade das estrias. O cuidado preventivo e consistente pode reduzir significativamente o impacto, mesmo em quem tem predisposição.
Exercício físico piora as estrias?
O exercício em si não piora estrias. O que pode causar estrias é o ganho rápido de massa muscular (hipertrofia) sem cuidados com a pele. Se você pratica musculação e está em fase de ganho de volume, manter a pele hidratada e usar um creme para estrias nas áreas de maior estiramento (ombros, braços, coxas) é uma medida preventiva inteligente.
Existe cura para estrias?
Nenhum tratamento — tópico ou procedimento dermatológico — elimina completamente as estrias. O que existe são cuidados que melhoram significativamente a aparência: textura, profundidade, tom e visibilidade. A abordagem mais eficaz combina cuidados tópicos consistentes com, quando indicado, procedimentos dermatológicos complementares.
Referências
-
Cho, S., Park, E.S., Lee, D.H., Li, K., & Chung, J.H. (2006). Clinical features and risk factors for striae distensae in Korean adolescents. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 20(9), 1108-1113. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16987267/
-
Watson, R.E., Parry, E.J., Humphries, J.D., et al. (1998). Fibrillin microfibrils are reduced in skin exhibiting striae distensae. British Journal of Dermatology, 138(6), 931-937. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9747352/
-
Atwal, G.S., Manku, L.K., Griffiths, C.E., & Polson, D.W. (2006). Striae gravidarum in primiparae. BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology, 113(11), 1324-1328. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17014679/
-
Tung, J.Y., Kiefer, A.K., Mullins, M., et al. (2013). Genome-wide association analysis implicates elastic microfibrils in the development of nonsyndromic striae distensae. Journal of Investigative Dermatology, 133(11), 2628-2631. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23698099/
-
Ud-Din, S., McGeorge, D., & Bayat, A. (2016). Topical management of striae distensae (stretch marks): Prevention and therapy of striae rubrae and albae. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 30(2), 211-222. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26486319/
-
Bylka, W., Znajdek-Awiżeń, P., Studzińska-Sroka, E., & Brzezińska, M. (2014). Centella asiatica in dermatology: An overview. Phytotherapy Research, 28(8), 1117-1124. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24399761/
-
Soltanipoor, F., Delaram, M., Taavoni, S., & Haghani, H. (2012). The effect of olive oil on prevention of striae gravidarum: A randomized controlled clinical trial. Complementary Therapies in Medicine, 20(5), 272-276. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22863560/