O mito e a verdade sobre exercícios e estrias
Se você já pesquisou sobre estrias, provavelmente encontrou informações contraditórias: alguns dizem que exercícios previnem estrias, outros dizem que podem causar. E sabe o que é curioso? Os dois lados têm razão — depende de como você se exercita.
As estrias (striae distensae) surgem quando a pele é esticada além da sua capacidade de adaptação, rompendo as fibras de colágeno e elastina na derme. E essa distensão pode acontecer tanto por acúmulo de gordura quanto por ganho muscular rápido. É por isso que muita gente que pratica musculação intensamente acaba desenvolvendo estrias nos braços, coxas e glúteos.
Por outro lado, exercícios físicos regulares melhoram a circulação sanguínea, favorecem a oxigenação dos tecidos e ajudam no controle do peso — fatores que protegem a pele contra o surgimento de estrias.
A questão, então, não é se você deve ou não se exercitar. É como fazer isso de forma inteligente para que os benefícios superem os riscos. Vem com a gente entender essa relação.
Como o ganho muscular rápido pode causar estrias
Quem treina pesado sabe: os resultados são viciantes. Mas existe um efeito colateral que muita gente só descobre quando já aconteceu — as estrias por hipertrofia muscular.
O mecanismo é o mesmo que ocorre na gravidez ou no ganho de peso: quando o músculo cresce muito rápido, a pele sobre ele precisa acompanhar essa expansão. Se o crescimento muscular for mais rápido do que a capacidade da pele de se adaptar, as fibras dérmicas se rompem, gerando estrias.
As estrias por musculação são especialmente comuns em:
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Braços (bíceps e região deltoidea): uma das áreas mais afetadas em homens e mulheres que treinam membros superiores com cargas pesadas.
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Coxas (quadríceps e posterior): o aumento rápido de volume nas pernas é outro gatilho frequente.
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Glúteos: treinos intensos de glúteos — muito populares entre mulheres — podem levar a estrias nessa região.
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Região lombar e costas: menos comentadas, mas também afetadas em praticantes de exercícios compostos pesados.
Praticantes de bodybuilding, crossfit de alta intensidade e programas de ganho de massa acelerado estão entre os grupos com maior incidência de estrias relacionadas ao exercício. Isso não significa que você precisa evitar esses treinos — mas sim que precisa adotar estratégias de proteção.
Exercícios que ajudam: melhora da circulação e tônus da pele
Agora, a parte boa. Quando praticados com equilíbrio, os exercícios físicos são aliados reais da saúde da pele. Veja como:
Melhora da circulação sanguínea
A atividade física aumenta o fluxo sanguíneo para todos os tecidos do corpo, incluindo a pele. Esse aumento de circulação transporta mais oxigênio e nutrientes para as células da derme, favorecendo a produção de colágeno e a renovação celular. Uma pele bem irrigada é naturalmente mais elástica e resistente.
Regulação hormonal
Exercícios regulares ajudam a equilibrar hormônios como o cortisol — conhecido como hormônio do estresse. Níveis elevados de cortisol degradam colágeno e elastina, tornando a pele mais vulnerável a estrias. Quando você se exercita de forma consistente, ajuda a manter esses níveis sob controle.
Controle do peso corporal
O sedentarismo é um fator de risco para o ganho de peso rápido, que é um dos principais gatilhos para estrias. Manter uma rotina de exercícios ajuda a controlar o peso de forma gradual e sustentável, reduzindo o risco de distensão excessiva da pele.
Melhores tipos de exercício para a pele
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Exercícios aeróbicos moderados: caminhada, corrida leve, ciclismo e natação promovem boa circulação sem causar hipertrofia rápida.
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Yoga e pilates: além da circulação, trabalham a flexibilidade e ajudam na redução do estresse (e do cortisol).
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Musculação com progressão gradual: o segredo é a palavra "gradual" — aumentar carga e volume aos poucos, respeitando o tempo de adaptação da pele.
A importância do aquecimento e progressão gradual
Um dos maiores erros na academia — e um gatilho subestimado de estrias — é a pressa por resultados. Aumentar cargas de forma abrupta, pular etapas de progressão e treinar em volumes excessivos sem adaptação prévia são comportamentos que elevam o risco.
Progressão gradual de carga
A pele precisa de tempo para se adaptar ao crescimento muscular, assim como músculos e tendões precisam de tempo para se fortalecer. Quando você segue uma progressão estruturada — aumentando carga entre 5% e 10% por semana —, o volume muscular cresce de forma que a pele consegue acompanhar.
Periodização do treino
Alternar períodos de treino intenso com períodos de volume moderado (periodização) permite que o corpo — e a pele — tenha fases de recuperação e adaptação. Isso é especialmente importante para quem treina visando hipertrofia.
Aquecimento e alongamento
O aquecimento aumenta a temperatura da pele e melhora temporariamente sua elasticidade. Músculos aquecidos também respondem melhor ao exercício, reduzindo o risco de crescimento descontrolado em áreas específicas.
Hidratação pré e pós-treino para a pele
Quando se fala em hidratação no treino, a maioria das pessoas pensa em beber água — e isso é essencial. Mas existe outra hidratação que muita gente esquece: a hidratação tópica da pele.
Antes do treino
Aplicar um hidratante corporal antes do exercício pode parecer incomum, mas faz sentido. A pele hidratada é mais flexível e resiliente. Quando as fibras dérmicas estão bem lubrificadas, elas resistem melhor à distensão mecânica causada pelo exercício.
Dica: prefira fórmulas de rápida absorção que não deixem a pele pegajosa durante o treino.
Depois do treino
O pós-treino é o momento ideal para hidratar a pele intensamente. Após o exercício, o fluxo sanguíneo está elevado, o que favorece a absorção de ativos. Um bom creme para estrias com ingredientes como centella asiática, óleo de rosa mosqueta ou manteiga de karité pode ajudar a manter a elasticidade da pele nas áreas mais exigidas.
Hidratação interna
Não adianta hidratar por fora e esquecer de beber água. A desidratação reduz a elasticidade cutânea e torna a pele mais vulnerável a rupturas. Mantenha a ingestão de água antes, durante e depois do treino.
Regiões mais vulneráveis em praticantes de exercício
Nem toda região do corpo tem a mesma predisposição a estrias. Em praticantes de exercício, as áreas mais vulneráveis são aquelas onde o crescimento muscular é mais pronunciado:
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Região |
Exercícios associados |
Nível de risco |
|---|---|---|
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Bíceps e deltoides |
Rosca, desenvolvimento, elevação lateral |
Alto |
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Quadríceps |
Agachamento, leg press, extensora |
Alto |
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Glúteos |
Hip thrust, agachamento sumo, afundo |
Moderado a alto |
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Peitoral |
Supino, crucifixo, flexão |
Moderado |
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Panturrilha |
Gêmeos em pé/sentado |
Baixo a moderado |
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Costas/lombar |
Levantamento terra, remada |
Baixo a moderado |
Se você treina forte alguma dessas regiões, dê atenção especial à hidratação tópica nessas áreas. Um óleo de rosa mosqueta pode ser uma ótima opção para manter essas regiões bem nutridas e flexíveis.
A importância de complementar com cuidados tópicos
O exercício físico é um aliado da pele — mas não é suficiente sozinho para prevenir estrias, especialmente quando o treino envolve hipertrofia significativa. Complementar com cuidados tópicos é o que fecha o ciclo de proteção.
Ingredientes como a centella asiática (Centella asiatica) são amplamente estudados por sua capacidade de estimular a produção de colágeno tipo I e melhorar a organização das fibras dérmicas. Uma rotina que inclua um produto com centella asiática pode fazer diferença na resistência da pele às distensões do treino.
Outro aliado importante é o esfoliante corporal, que ajuda na renovação celular e melhora a absorção dos hidratantes que vêm na sequência. Esfoliar a pele uma a duas vezes por semana mantém a superfície cutânea saudável e receptiva aos ativos.
A lógica é simples: treino inteligente + alimentação equilibrada + hidratação tópica = a melhor proteção que a sua pele pode ter.
FAQ — Perguntas frequentes
Musculação causa estrias?
A musculação em si não causa estrias — o que causa é o ganho muscular rápido que excede a capacidade de adaptação da pele. Treinar com progressão gradual, manter a pele hidratada e evitar anabolizantes (que aceleram o crescimento muscular de forma antinatural) são as melhores formas de prevenir estrias na academia.
Estrias de academia são iguais às de gravidez?
O mecanismo é o mesmo — ruptura das fibras de colágeno e elastina por distensão rápida — mas a localização costuma ser diferente. Na gravidez, as estrias tendem a aparecer no abdômen, quadris e seios. Na musculação, são mais comuns nos braços, coxas e glúteos. O cuidado e a prevenção, no entanto, seguem os mesmos princípios: hidratação, nutrição e progressão gradual.
Qual o melhor exercício para quem já tem estrias?
Se você já tem estrias, exercícios que melhoram a circulação — como caminhada, natação e yoga — podem ajudar a melhorar o aspecto da pele ao longo do tempo, favorecendo a renovação celular na área afetada. Combine com cuidados tópicos específicos para estrias vermelhas (mais recentes) ou estrias brancas (mais antigas) para melhores resultados.
Referências
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