Hábitos do dia a dia que você nem imagina que prejudicam sua pele
A gente costuma pensar nas estrias como algo que simplesmente "acontece" — durante a gravidez, na adolescência ou quando engordamos. Mas a verdade é que muitos hábitos do dia a dia podem estar sabotando a saúde da sua pele sem que você perceba.
As estrias (striae distensae) são resultado da ruptura das fibras de colágeno e elastina na derme. E embora fatores genéticos e hormonais tenham peso nessa história, o que você faz — ou deixa de fazer — no cotidiano pode ser o fator decisivo entre uma pele que resiste e uma pele que cede.
Neste artigo, a gente vai passar por oito hábitos que aumentam o risco de estrias e, mais importante, mostrar como reverter cada um deles. Algumas dessas mudanças são simples, outras exigem mais disciplina — mas todas fazem diferença real na elasticidade da sua pele.
1. Efeito sanfona: ganho e perda de peso rápidos
O efeito sanfona é, sem dúvida, um dos maiores vilões quando o assunto é estrias. Cada ciclo de ganho e perda rápida de peso submete a pele a uma distensão e retração intensas, estressando repetidamente as fibras de colágeno e elastina.
Na primeira vez, a pele pode até conseguir se recuperar. Mas com ciclos repetidos, as fibras perdem a capacidade de retorno. É como dobrar um clipe de papel várias vezes no mesmo ponto — eventualmente, ele quebra.
O problema não é apenas o excesso de peso. A velocidade da mudança é o fator crítico. Ganhar 5 kg em um mês é muito mais perigoso para a pele do que ganhar 5 kg ao longo de um ano.
Como reverter: se você precisa perder ou ganhar peso, faça isso de forma gradual. A recomendação médica é de no máximo 0,5 a 1 kg por semana. Evite dietas extremamente restritivas que prometem resultados rápidos — elas quase sempre levam ao efeito rebote e, com ele, às estrias.
2. Banho muito quente e prolongado
Poucas pessoas sabem, mas aquele banho quentinho e demorado pode estar prejudicando seriamente a barreira cutânea da sua pele.
A água quente dissolve os lipídios naturais que formam a barreira protetora da pele — o chamado "manto lipídico". Sem essa barreira, a pele perde água muito mais rápido (aumento da TEWL — perda transepidérmica de água), fica desidratada, ressecada e menos elástica.
A combinação de banho quente + sabonete agressivo é especialmente danosa. Muitos sabonetes convencionais possuem pH alcalino que agride ainda mais a barreira cutânea, deixando a pele exposta e vulnerável.
Como reverter: reduza a temperatura do banho para morna (abaixo de 38°C) e limite o tempo a 10-15 minutos. Use sabonetes com pH neutro ou syndets (detergentes sintéticos suaves). E a regra de ouro: aplique um hidratante corporal imediatamente após o banho, com a pele ainda levemente úmida, para selar a barreira e reter a hidratação.
3. Uso de roupas muito apertadas
Roupas apertadas — especialmente em tecidos sintéticos sem elasticidade — criam fricção mecânica constante contra a pele. Essa fricção repetida pode irritar a barreira cutânea e, em áreas onde a pele já está sob tensão (como coxas, quadris e abdômen), pode agravar o risco de dano dérmico.
Além disso, roupas muito justas podem comprimir a microcirculação local, reduzindo o fluxo de sangue e nutrientes para a pele naquela região. Menos nutrientes e oxigênio significam menos capacidade de produzir colágeno e manter a elasticidade.
Isso é especialmente relevante durante a gravidez, quando muitas mulheres continuam usando roupas do tamanho anterior por mais tempo do que deveriam.
Como reverter: prefira roupas de tecidos naturais com boa elasticidade, como algodão com elastano. Em momentos de mudança corporal (gravidez, ganho de massa muscular), adapte o guarda-roupa ao novo volume. Roupas de compressão médica — quando indicadas por profissional de saúde — são uma exceção, pois são desenhadas para distribuir a pressão de forma uniforme.
4. Negligenciar a hidratação corporal
Muita gente capricha no skincare do rosto e esquece completamente do corpo. Mas a pele do corpo — especialmente em áreas como abdômen, coxas, glúteos e seios — é exatamente onde as estrias mais aparecem.
A pele desidratada é menos elástica, mais rígida e mais propensa a rupturas. A falta de hidratação tópica regular permite que a TEWL fique elevada, resultando em uma pele que simplesmente não consegue acompanhar mudanças de volume.
Segundo pesquisas dermatológicas, a aplicação regular de emolientes e hidratantes pode melhorar significativamente as propriedades biomecânicas da pele, incluindo elasticidade e resistência à distensão.
Como reverter: transforme a hidratação corporal em um hábito diário — tão automático quanto escovar os dentes. O melhor momento é logo após o banho. Use um creme para estrias nas áreas de maior risco e um hidratante corporal nas demais regiões. Se estiver grávida, reforce o cuidado com produtos formulados para estrias na gravidez.
Para uma rotina mais completa, inclua uma esfoliação corporal uma a duas vezes por semana com um esfoliante corporal suave. A esfoliação remove células mortas e melhora a absorção do hidratante aplicado na sequência.
5. Exposição solar sem proteção
O sol é um dos maiores aceleradores do envelhecimento cutâneo — o chamado fotoenvelhecimento. A radiação ultravioleta (UV) degrada as fibras de colágeno e elastina da derme, reduzindo a capacidade da pele de se esticar e recuperar.
A exposição solar crônica sem proteção:
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Fragmenta as fibras de colágeno existentes, enfraquecendo a estrutura de suporte da pele.
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Reduz a produção de novo colágeno, comprometendo a renovação das fibras.
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Aumenta a produção de metaloproteinases da matriz (MMPs), enzimas que literalmente "digerem" colágeno e elastina.
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Espessa a epiderme de forma irregular enquanto afina a derme — exatamente a camada onde as estrias se formam.
O resultado? Uma pele que envelhece prematuramente, perde elasticidade e se torna mais suscetível a estrias em qualquer situação de distensão.
Como reverter: use protetor solar corporal nas áreas expostas, especialmente se você está em período de mudança corporal. Evite bronzeamento artificial e exposição solar prolongada nos horários de pico (10h-16h). A pele protegida do sol mantém suas fibras íntegras por muito mais tempo.
6. Sedentarismo e má circulação
O sedentarismo afeta a pele de múltiplas formas. Quando você passa longos períodos sem atividade física, a circulação sanguínea fica comprometida. E a circulação é o sistema de entregas da pele — é através do sangue que oxigênio, nutrientes e água chegam às células da derme.
Uma circulação deficiente significa:
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Menos nutrientes para as células produtoras de colágeno (fibroblastos)
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Menor oxigenação tecidual, o que prejudica a renovação celular
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Acúmulo de toxinas e metabólitos que podem danificar as fibras dérmicas
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Maior propensão ao ganho de peso, que por si só é um fator de risco para estrias
Pesquisas mostram que o exercício físico regular melhora a perfusão cutânea (fluxo de sangue na pele) e pode até influenciar positivamente a espessura e a composição da derme.
Como reverter: não precisa virar atleta. Caminhar 30 minutos por dia já faz diferença significativa na circulação e na saúde da pele. Se o seu trabalho é sedentário, levante-se a cada hora para se movimentar. Exercícios como natação, yoga, pilates e ciclismo são ótimos para a circulação sem causar distensão rápida da pele.
7. Dietas restritivas e deficiência nutricional
Dietas muito restritivas — especialmente as que cortam grupos alimentares inteiros — podem privar o corpo dos nutrientes essenciais para a produção de colágeno e elastina. E sem esses blocos de construção, a pele fica estruturalmente mais fraca.
Os nutrientes mais críticos para a saúde das fibras dérmicas incluem:
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Vitamina C: essencial para a síntese de colágeno. Sem ela, o colágeno produzido é de qualidade inferior e se degrada mais facilmente.
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Zinco: participa da renovação celular e da reparação tecidual.
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Proteínas (aminoácidos): são a matéria-prima do colágeno e da elastina. Dietas com baixa ingestão proteica comprometem diretamente a produção dessas fibras.
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Ômega-3: ácidos graxos essenciais que mantêm a flexibilidade das membranas celulares e contribuem para a barreira lipídica da pele.
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Vitamina E: antioxidante que protege as fibras existentes contra danos oxidativos.
Dietas da moda que prometem emagrecimento rápido — como dietas líquidas, jejum prolongado ou restrição calórica extrema — são duplamente perigosas: causam perda de peso rápida (que distende a pele) e privam o corpo de nutrientes (que enfraquecem as fibras). É a combinação perfeita para o surgimento de estrias.
Como reverter: priorize uma alimentação equilibrada e variada. Se precisar perder peso, busque orientação de um nutricionista para montar um plano que garanta todos os nutrientes essenciais enquanto cria um déficit calórico moderado e sustentável.
8. Tabagismo e impacto no colágeno
O cigarro é um dos inimigos mais agressivos da pele — e a relação entre tabagismo e estrias é mais forte do que muita gente imagina.
A fumaça do cigarro contém mais de 4.000 substâncias químicas, muitas das quais afetam diretamente a saúde da pele:
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Nicotina: causa vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos), reduzindo drasticamente o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes para a pele. É como cortar o abastecimento de uma fábrica — a produção de colágeno despenca.
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Radicais livres: a fumaça gera uma quantidade massiva de radicais livres que atacam e degradam as fibras de colágeno e elastina já existentes.
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MMPs (metaloproteinases da matriz): o tabagismo aumenta a atividade dessas enzimas, que literalmente destroem colágeno na derme.
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Redução da vitamina C: o tabagismo depleta os estoques de vitamina C do organismo — o nutriente mais importante para a síntese de colágeno.
Estudos mostram que fumantes apresentam pele significativamente menos elástica do que não fumantes da mesma idade. Isso torna a pele de fumantes muito mais vulnerável a estrias em qualquer situação de distensão — seja por gravidez, ganho de peso ou crescimento muscular.
Como reverter: a decisão mais impactante que você pode tomar pela saúde da sua pele é parar de fumar. A boa notícia é que o corpo começa a se recuperar assim que o cigarro é abandonado. A circulação melhora em semanas, e a produção de colágeno começa a se normalizar em meses. Se precisa de ajuda para parar, procure um profissional de saúde — existem programas eficazes e gratuitos disponíveis pelo SUS.
Como reverter esses hábitos + cuidados tópicos complementares
A boa notícia é que a maioria desses hábitos pode ser modificada a qualquer momento — e a pele responde. O corpo está em constante renovação, e ao oferecer melhores condições, você permite que a pele se fortaleça e se torne mais resistente.
Aqui está um resumo prático de ações que cobrem todos os hábitos que discutimos:
Rotina diária de proteção
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Manhã: beba água ao acordar. Aplique protetor solar nas áreas expostas.
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Ao longo do dia: mantenha a hidratação interna constante (35 ml por kg de peso). Movimente-se a cada hora se tiver trabalho sedentário.
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Pós-banho (morno e curto): aplique hidratante corporal com a pele ainda úmida. Nas áreas de maior risco, use um creme para estrias específico.
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1-2x por semana: esfolie o corpo com um esfoliante corporal suave para renovar a pele e melhorar a absorção dos ativos.
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Noite: aplique um óleo de rosa mosqueta nas áreas mais vulneráveis antes de dormir. A noite é quando o corpo entra em modo de reparação, e os ativos trabalham junto com a regeneração natural.
Ingredientes-chave para sua rotina
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Centella asiática (Centella asiatica): amplamente estudada por sua capacidade de estimular a síntese de colágeno e melhorar a organização das fibras dérmicas. Confira opções com centella asiática.
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Rosa mosqueta (Rosa rubiginosa): rica em ácidos graxos essenciais e vitamina A natural, ajuda na regeneração da barreira cutânea.
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Manteiga de karité: emoliente poderoso que sela a barreira e reduz a TEWL.
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Vitamina E (tocoferol): antioxidante que protege as fibras contra danos oxidativos.
Se você já tem estrias recentes (avermelhadas ou rosadas), saiba que elas respondem melhor ao cuidado do que as estrias mais antigas. Confira opções específicas para estrias vermelhas. Se as estrias já são brancas e mais antigas, existem formulações direcionadas para estrias brancas que auxiliam na melhora do aspecto.
FAQ — Perguntas frequentes
Estrias são hereditárias ou são causadas por hábitos?
As duas coisas. A predisposição genética influencia a qualidade e a quantidade de colágeno e elastina que a sua pele produz. Mas os hábitos do dia a dia podem agravar ou atenuar essa predisposição. Uma pessoa com predisposição genética que mantém a pele hidratada, se alimenta bem e evita mudanças bruscas de peso pode nunca desenvolver estrias — enquanto alguém sem predisposição pode desenvolvê-las por hábitos prejudiciais.
Qual desses hábitos é o mais perigoso para causar estrias?
O efeito sanfona (ganho e perda rápidos de peso) é provavelmente o fator de risco comportamental mais significativo, porque combina distensão mecânica direta com estresse repetido sobre as fibras dérmicas. Mas na prática, os hábitos se acumulam — uma pessoa que faz dieta restritiva, não hidrata a pele e fuma tem um risco muito maior do que alguém que tem apenas um desses hábitos.
Posso reverter o dano que esses hábitos já causaram?
A pele tem capacidade de renovação impressionante. Ao eliminar hábitos prejudiciais e adotar uma rotina de cuidados adequada, você melhora a qualidade da pele que está sendo produzida agora. Estrias já formadas são mais difíceis de reverter completamente, mas o aspecto pode melhorar com cuidados consistentes — especialmente as estrias recentes (vermelhas/rosadas). E, mais importante, você reduz significativamente o risco de novas estrias.
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