Quando se fala em estrias, a maioria das pessoas pensa imediatamente em barriga, coxas e seios. Mas existe uma região que quase ninguém lembra de cuidar — e que é extremamente suscetível a essas marcas: os flancos, ou seja, as laterais do corpo, entre as costelas e o quadril.
Os flancos são aquela zona que você vê quando se olha de lado no espelho. É ali, nas laterais do abdômen, que muitas estrias surgem de forma silenciosa. E como a gente nem sempre presta atenção nessa área, quando percebe, as marcas já estão lá — às vezes extensas e visíveis.
Se isso aconteceu com você, calma. Existe muita coisa que dá para fazer para melhorar a aparência dessas estrias e cuidar da pele nessa região específica. Vamos entender juntas como e por que elas aparecem nos flancos — e o que você pode usar no dia a dia.
Por que os flancos são afetados por estrias?
Os flancos ficam na transição entre a parte frontal do abdômen e as costas. É uma região que sofre tensão lateral constante — especialmente durante mudanças de peso, gestação e até no crescimento durante a puberdade.
Quando o corpo ganha volume na região abdominal, a pele não se estica apenas para frente. Ela também é puxada para os lados, e é exatamente essa tração lateral que sobrecarrega as fibras de colágeno e elastina nos flancos. Como essas fibras têm um limite de elasticidade, quando esse limite é ultrapassado de forma rápida, elas se rompem — dando origem às estrias.
Anatomicamente, a pele dos flancos possui menos tecido subcutâneo do que a parte central do abdômen. Isso significa que há menos "amortecimento" entre a superfície da pele e as estruturas mais profundas, tornando a região mais vulnerável à formação de striae distensae.
Causas das estrias nos flancos
Ganho de peso
O acúmulo de gordura nas laterais do corpo — o famoso "pneuzinho" — é uma das causas mais comuns de estrias nos flancos. Quando esse acúmulo acontece de forma rápida, a pele da região é forçada a se distender além da sua capacidade de adaptação.
Crescimento na puberdade
Adolescentes em fase de crescimento acelerado — o chamado estirão puberal — frequentemente desenvolvem estrias nos flancos. O crescimento rápido em altura puxa a pele verticalmente, e as laterais do tronco são particularmente afetadas. Estudos epidemiológicos mostram que estrias na puberdade afetam tanto meninas quanto meninos, com prevalência variando entre 40% e 70%.
Gravidez
Durante a gestação, a expansão do útero pressiona a pele não apenas na frente, mas em toda a circunferência abdominal. As estrias na gravidez frequentemente se estendem para os flancos, especialmente no terceiro trimestre, quando o volume abdominal atinge seu pico.
Musculação e hipertrofia dos oblíquos
Quem treina pesado — especialmente exercícios para os músculos oblíquos internos e externos — pode desenvolver estrias nos flancos como resultado do aumento de massa muscular na região. A hipertrofia muscular rápida distende a pele de dentro para fora, de forma análoga ao ganho de gordura, mas com distribuição diferente.
Anatomia da região: entendendo a pele dos flancos
Para cuidar bem dos flancos, vale a pena entender um pouco da anatomia. A pele dessa região recobre os músculos oblíquos externo e interno, o transverso do abdômen e, mais profundamente, o quadrado lombar. A fáscia toracolombar também contribui para a estrutura da região.
O tecido subcutâneo nos flancos é relativamente fino, especialmente em pessoas com menor percentual de gordura corporal. Isso implica que a derme recebe menos suporte estrutural e, portanto, é mais suscetível a rompimentos quando submetida a distensão.
As estrias nos flancos geralmente seguem um padrão oblíquo ou levemente horizontal, acompanhando as linhas de tensão da pele (linhas de Langer). Esse padrão é útil para definir a direção da massagem durante a aplicação de produtos — mais sobre isso adiante.
Ativos recomendados para a região dos flancos
Os ativos que funcionam para estrias em outras partes do corpo também são eficazes nos flancos. A diferença está na forma de aplicação e na consistência da rotina.
Centella asiática
A centella asiática continua sendo um dos ativos com maior evidência para o cuidado com estrias. Seus triterpenos (ácido asiático, ácido madecássico e asiaticosídeo) estimulam a produção de colágeno tipo I e tipo III, promovendo a reparação das fibras dérmicas danificadas. Para os flancos, onde a derme é mais fina, esse estímulo à síntese de colágeno é particularmente relevante.
Óleo de rosa mosqueta
O óleo de rosa mosqueta é rico em ácidos graxos poli-insaturados — especialmente ácido linoleico e ácido alfa-linolênico — que contribuem para a regeneração celular e a hidratação da derme. Sua textura fluida permite uma boa espalhabilidade na região dos flancos, facilitando a massagem.
Ácido hialurônico
O ácido hialurônico de baixo peso molecular penetra na epiderme e contribui para a hidratação profunda, criando um ambiente mais favorável para a regeneração da pele. Em formulações tópicas, ele melhora a textura e a maciez da pele na região tratada.
Pantenol e alantoína
Essa dupla de ativos calmantes e regeneradores é excelente para peles sensibilizadas. O pantenol auxilia na reparação da barreira cutânea, enquanto a alantoína suaviza e conforta a pele. Juntos, eles melhoram a aparência das estrias de forma progressiva.
Vitamina E (tocoferol)
A vitamina E atua como antioxidante, protegendo as células da pele contra o dano oxidativo e contribuindo para a manutenção da elasticidade cutânea. Em sinergia com a rosa mosqueta, ela potencializa os efeitos regeneradores.
Técnica de aplicação: massagem longitudinal seguindo a direção das estrias
A forma como você aplica os produtos faz diferença no resultado. Nos flancos, a técnica ideal é a massagem longitudinal — ou seja, movimentos que acompanham a direção das estrias.
Passo a passo:
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Aplique o produto (creme ou óleo) nas laterais do corpo, da cintura até a região das costelas
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Use as palmas das mãos abertas para distribuir o produto de forma uniforme
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Faça movimentos longitudinais: deslize as mãos na direção das estrias (geralmente oblíqua ou levemente horizontal)
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Pressão moderada: firme o suficiente para estimular a circulação, mas sem causar desconforto
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Movimentos de "pinçamento": com o polegar e os dedos, faça pequenos pinçamentos na pele para estimular a microcirculação local
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Finalize com movimentos ascendentes: de baixo para cima, do quadril em direção às costelas
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Duração: 3 a 5 minutos por lado
Essa técnica de massagem não apenas melhora a absorção dos ativos, mas também estimula a produção de colágeno por meio da estimulação mecânica da derme. Pesquisas sobre mecanotransdução dérmica mostram que a estimulação física regular pode influenciar a atividade dos fibroblastos.
A importância de não negligenciar regiões "invisíveis"
Uma das razões pelas quais as estrias nos flancos costumam ser mais extensas quando finalmente notadas é justamente porque a gente não olha para essa região com frequência. Diferente do rosto ou das pernas, os flancos ficam numa espécie de "ponto cego" visual.
Isso cria um ciclo: como você não vê, não cuida. Como não cuida, quando percebe, as estrias já evoluíram de estrias vermelhas (rubras, inflamatórias, mais responsivas ao cuidado tópico) para estrias brancas (albas, atróficas, mais difíceis de melhorar).
A dica é simples: inclua os flancos na sua rotina de cuidado corporal da mesma forma que você inclui barriga, coxas e glúteos. Não precisa de um produto diferente — basta estender a aplicação do seu creme para estrias ou hidratante até as laterais do corpo.
Rotina de cuidados para os flancos
Uma rotina eficaz não precisa ser complicada. O segredo está na consistência.
Pela manhã
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Hidratação: aplique um hidratante corporal com ingredientes como ácido hialurônico, pantenol ou glicerina nos flancos
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Protetor solar: se os flancos forem ficar expostos (praia, biquíni), aplique protetor solar para evitar hiperpigmentação das estrias
À noite (após o banho)
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Esfoliação (2x por semana): use um esfoliante corporal suave, com movimentos circulares na região dos flancos
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Aplicação de ativo concentrado: creme com centella asiática ou óleo de rosa mosqueta, com a técnica de massagem longitudinal descrita acima
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Selagem: se a pele estiver muito ressecada, finalize com uma camada de óleo vegetal para selar a hidratação
Semanal
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Massagem mais profunda (1x por semana): dedique 10 minutos a uma massagem mais intensa nos flancos, com óleo aquecido entre as mãos. Isso potencializa a circulação e a absorção dos ativos.
FAQ — Perguntas frequentes sobre estrias nos flancos
Estrias nos flancos são mais difíceis de reduzir do que em outras regiões?
Não necessariamente. A resposta ao cuidado tópico depende mais do estágio da estria (vermelha vs. branca) do que da localização. Estrias recentes, avermelhadas, tendem a responder melhor aos cuidados do que estrias antigas e esbranquiçadas, independentemente de estarem nos flancos, na barriga ou nas coxas.
Exercícios abdominais podem piorar as estrias nos flancos?
Exercícios não pioram estrias existentes. Porém, a hipertrofia muscular rápida — especialmente dos oblíquos — pode criar novas estrias se a pele não estiver preparada para a distensão. A prevenção inclui manter a pele bem hidratada e progredir a carga de treino de forma gradual.
Posso usar o mesmo creme da barriga nos flancos?
Sim. Os ativos indicados para estrias são eficazes independentemente da região do corpo. O importante é garantir que a aplicação alcance os flancos e que a massagem siga a direção correta — longitudinal, acompanhando as marcas.
Referências
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